Entrevista com o GM Krikor Mekhitarian

Nome: Krikor Sevag Mekhitarian
Título: Grande Mestre Internacional
Idade: 23 anos

Guiga: Você iniciou a jogar xadrez com que idade? Teve professores quando iniciou?
Krikor: Aprendi aos 6,7 anos com meu pai. Depois de ficar jogando somente com ele, durante um bom tempo, tive meu primeiro professor aos 7 anos, mas casualmente fui participar da primeira competição escolar aos 10 anos.

Guiga: Quais são suas conquistas no xadrez até o momento, e qual considera a mais difícil?
Krikor: Vice-campeão Mundial por Equipes Sub-16 e melhor tabuleiro (2001); 5 vezes Campeão Paulista de categorias; Bicampeão Brasileiro Juvenil (Sub-20 em 2003 e 2004). A melhor e a mais difícil de todas foi o 3º Lugar no recente Campeonato Brasileiro Absoluto (Americana – SP).

Guiga: Como é sua rotina de treinamento para as competições?
Krikor: Geralmente antes das competições, tento analisar os adversários e escolher possíveis posições a serem jogadas com ele, para poder trabalhar em cima delas. Mas a princípio não muda muito a rotina perto ou longe das competições, tirando a motivação, que às vezes pode melhorar o rendimento. Basicamente ver partidas, reforçar o cálculo (que vem sendo uma das falhas em minhas partidas) e estar bem preparado nas aberturas.

Guiga: Qual considera a melhor partida jogada pro você até hoje? E por quê?
Krikor: Certamente a vitória de pretas contra o Rafael Leitão, no Brasileiro agora. Não somente pela partida, que de fato foi correta em sua maior parte, mas sim por eu ter perdido a primeira rodada, sem nenhuma reação de brancas contra o Diamant. Acredito ser muito importante o poder de reação em situações que você fica pra baixo nos torneios.

Guiga: Com certeza! E falando no Brasileiro em Americana, como foi sua reação após o Matsuura abandonar a partida, e você atingir sua primeira norma de GM?
Krikor: Foi uma sensação engraçada, porque eu não esperava que ele fosse abandonar tão cedo (embora o final esteja ganho). Logo após, reinou a sensação de alívio, de ter conseguido algo que eu buscava a cerca de 3, 4 anos . Esse foi apenas o primeiro passo, mas certamente um peso que saiu de minhas costas.

Guiga: Quais serão os próximos eventos que pretende participar ao longo de 2010?
Krikor: Jogarei o Aberto da Festa da Uva, em Caxias do Sul, pra dar um sufoco no Ivanchuk (rs); o Internacional Mário Covas no 1º semestre; e talvez eu vá com o Fier pra Europa, um pouco antes do meio do ano para jogar alguns torneios na Espanha, mas nada certo ainda. E o Mundial Universitário na Suiça, em Setembro de 2010. Sem contar, é claro, a Final do Brasileiro Absoluto, para o qual classifiquei ficando em 3º em 2009.

Guiga: Anand ou Topalov?
Krikor: Topalov

Guiga: Uma mensagem final à todos os leitores, e aos jogadores que torcem por você.
Krikor: Boa sorte à todos que estudam, jogam ou simplesmente gostam de xadrez, e que acompanham o cenário nacional e internacional de torneios. Para quem quer evoluir no jogo, só lembrem uma coisa: talento é capacidade de trabalho. E pra quem torce, sempre agradeço a força do público que tanto me incentiva, e alerto que torcedor meu tem que sofrer pra dar certo (rs).

Publicado por Guilherme Moraes

Um comentário em “Entrevista com o GM Krikor Mekhitarian

  • 4 de setembro de 2018 a 22:27
    Permalink

    Se houvesse uma faculdade de xadrez onde os alunos tivessem que ler a biografia base, a biografia de apoio, fazer todos os testes necessário, ter aulas diárias com professores bem treinados em cada tópico, ter laboratório, etc… Estes alunos poderia, depois de, sei lá, 4 ou 5 anos, obter um diploma de xadrez e ir ganhar a vida com isso: simples assim!!!

    Convenhamos, veja como são as matérias de um curso de engenharia elétrica, são 4mil horas de curso durante 5 anos estudando todos os dias. Qualquer um que tivesse isso no xadrez tendo a mesma estrutura de ensino que uma faculdade tem para as disciplinas que oferece, se tornaria um GM!

    As pessoas pagam treinadores, mas isso é como pagar um professor de Cálculo enquanto almeja ser um engenheiro eletricista, é óbvio que o cara não está qualificado pra te passar tudo que você precisa. Precisa de um corpo acadêmico com professores bem treinados em cada área.

    Parabéns para os jogadores de xadrez, são exímios autodidatas!

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *