Entrevista com o MI Marcus Vinicius Santos

Nome : Marcus Vinicius Moreira Santos
Cidade: Santo André – São Paulo
Rating Fide: 2374 (e caindo!)
Idade: 33 anos

Guiga: Você aprendeu a jogar xadrez com quem e com que idade?
Marcus: Aprendi a movimentar as peças com meu tio aos 7 anos de idade.

Guiga: Como é sua rotina de treinamentos, preparação para as competições?
Marcus: Eu costumo estudar cerca de duas horas por dia. Estudava muito mais ano passado, mas como joguei pouquíssimos torneios esse ano acabei diminuindo um pouco minhas horas de estudo. Entretanto, quando vou jogar algum torneio importante costumo intensificar, principalmente se for um torneio fechado.

Guiga: Conte-nos sobre um torneio inesquecível na sua carreira e porque o considera assim?
Marcus: Bem, o torneio mais inesquecível sem dúvida foi o Memorial Regina Helena Marques Prol, um torneio fechado “válido” para norma de MI que joguei em 2004. Nesse torneio eu “consegui” fazer a norma e isso me deu ânimo para lutar para ser MI. Até então eu não tinha muita confiança no meu jogo. A parte engraçada é a seguinte: devido a um erro da arbitragem (o torneio precisava de mais um jogador titulado) a norma não valeu, mas eu só fui saber disso 2 anos depois quando meu título foi negado pela FIDE. Mas apesar disso, esse sem dúvida, foi um dos torneios mais importantes da minha vida, porque ele me deu a certeza (ainda que ilusória) de que eu poderia um dia virar MI (risos).

Guiga: Qual a partida jogada por você considera como a mais importante?
Marcus: Uau, agora você me pegou! Vou ter que consultar minha base de dados (risos). Olha, tive várias partidas importantes, mas acho que posso citar uma partida com Alejandro Needleman no Magistral Comunic em 2004 como decisiva para mim. A partida foi “ruim” do ponto de vista técnico, mas como eu estava com 3 em 8 saí da partida tão feliz que até parecia que havia ganho o torneio! Além do mais, me ajudou a definir meu estilo de jogo pelos próximos anos.

Guiga: Cite-nos as suas conquistas mais expressivas.
Marcus: Um sexto lugar na Copa Mercosul de 1999, terceiro lugar no torneio Isla Cubanacan Bello Caribe em Cuba (2000) e vencer a semifinal do campeonato brasileiro em 2005. Mas minha maior conquista sem dúvida são os amigos que fiz pelo caminho. Eles são minha segunda família, estão sempre comigo.

Guiga: Durante todos esses anos, participando das competições, já aconteceu algum fato curioso durante uma partida sua?
Marcus: Sim! (risos) Em 1999 eu estava jogando a Copa Mercosul. Nesse torneio o ritmo de jogo iria mudar na metade do torneio. Eu estava jogando com meu amigo e ex-companheiro de equipe (mas na época éramos rivais!) Mauro de Souza. Bem, o Mauro é um jogador que odeia ser incomodado durante a partida. Qualquer barulho o perturba. Bem, nessa partida ele esqueceu que o ritmo de jogo mudou e um amigo dele ao perceber que seu tempo estava quase caindo tentou avisá-lo e foi repreendido pelo próprio Mauro! Depois que a seta dele caiu os colegas dele disseram que estavam tentando avisá-lo. Isso foi trágico para ele, mas sem dúvida (na época) foi muito engraçado.

Guiga: Quem são os seus ídolos no xadrez?
Marcus: Fischer (meu primeiro ídolo), Kasparov, Alekhine, Morphy e Topalov. Agora no segundo escalão: Keres, Geller, Taimanov e Bronstein.

Guiga: Quais os livros você considera como mais importantes, para quem deseja progredir, melhorar no jogo?
Marcus: Essa é uma pergunta difícil. A resposta mais exata seria : “aquele que tem uma linguagem que você consiga entender”. Quando comecei eu não tinha muitas opções. Havia alguns pouquíssimos livros em espanhol e eram livros muito avançados para mim naquela época. Para a felicidade geral dos enxadristas, centenas de livros são lançados todos os anos abordando vários assuntos e escritos por autores de vários níveis. Nem sempre os livros mais recomendados são os melhores para determinado tipo de jogador. Dvoretsky é um exemplo disso. Tem pessoas que o idolatram, mas não me impressiona muito. Ele não fala minha língua (risos). Mas como não quero escapar da pergunta, aqui vai uma recomendação: minhas 60 melhores partidas do Fischer, meu primeiro livro de xadrez.

Guiga: Sua opinião sobre a preparação de aberturas.
Marcus: Importantíssima. Segundo o próprio Kasparov a abertura é a fase mais difícil do jogo e com toda essa tecnologia e quantidade de informação é preciso reservar cada vez mais tempo para preparar, principalmente contra jogadores mais fortes.

Guiga: Qual sua visão sobre o xadrez brasileiro e mundial?
Marcus: O xadrez brasileiro teve alguns progressos nos últimos anos no que diz respeito a jogadores titulados. Essa nova geração é muito boa e está bastante animada. Isso é legal, mas é uma minoria. Em termos mais amplos nosso xadrez escolar ainda é de péssima qualidade, e ainda levará anos para que esse seja um componente curricular sério nas instituições de ensino. Quanto ao xadrez mundial, me limito as ver as partidas dos grandes jogadores. Porque politicamente todos dizem “amen” a FIDE.

Guiga: Quais os seus objetivos para o final de 2010 e o ano de 2011 em sua carreira?
Marcus: Basicamente subir meu rating que está despencando há dois anos (risos). Se chegar a 2450 aí sim pensar em fazer uma norma de GM. Gostaria de jogar mais torneios em 2011.

Guiga: Além de jogador também é treinador de xadrez, nos fale um pouco sobre isso.
Marcus: Eu comecei a dar aulas de xadrez com 18 anos em escolas particulares. Trabalhei por 14 anos em escolas, mas há alguns anos atrás algumas pessoas me procuraram para treinamento particular. Isso foi uma experiência fantástica. Com a ajuda da internet foi possível treinar alunos de diversas partes do país. Estou muito contente com o progresso deles. estão ganhando tanto rating que daqui a pouco vão me alcançar (risos).

Guiga: Espaço para considerações finais e/ou agradecimentos.
Marcus: Muito obrigado pela oportunidade! Os blogs se tornaram um meio essencial de divulgação do xadrez. É minha primeira entrevista em anos, foi muito legal! Bem agradecimentos especiais para minha mãe e meu tio (meus maiores fãs), meus alunos (que apesar das minhas mancadas sempre estão comigo) e a todos os amigos enxadristas.

Publicado por Guilherme Moraes

Um comentário em “Entrevista com o MI Marcus Vinicius Santos

  • 1 de janeiro de 2013 a 18:00
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    Gostei muito da entrevista com o Xadrezista Marcus Vinicius M. Santos, pela sinceridade e por tudo que ele colocou sobre o que lhe foi perguntado.
    Desejo à ele que consiga atingir sua metas, por que ele vencendo o xadrez brasilero vence também.
    Um grande abraço à ele e que 2013 possa ser bem mais diferente na vida dele em todos os aspéctos.

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