Rating – Parte I

Por AI Mauro Amaral e AI Marius Romboutvan Riemsdijk

Logo que alguém começa a jogar xadrez, ouve falar sobre rating e se pergunta “O que significa isso? Para que serve?”. Rating nada mais é que a medida da força de um jogador, calculada através de fórmulas matemáticas. O rating Fide, na forma conhecida atualmente, foi criado pelo físico húngaro-americano Arpad Emrick Elo[1] (1903-1992, foto) para a Federação Estadunidense de Xadrez (USCF), na década de 60.

Ao criar o sistema de rating, Elo estava preocupado em mais do que apenas uma ordem de força entre os vários jogadores. Ele pretendia ser capaz de atribuir probabilidades de vitória para cada confronto a ser realizado. Para tanto, e diante de sua experiência como físico, baseou seu sistema na Teoria dos Erros[2] e usou uma escala de intervalo[3].

No geral, essas escalas são arbitrárias. Ao longo da história do xadrez, foi comum a distinção da habilidade dos jogadores por níveis (terceira, segunda e primeira categorias, mestre, grande mestre, etc.). Isso era especialmente verdadeiro para os Estados Unidos. Ao criar sua escala, Elo queria que um intervalo de classe[4] correspondesse aproximadamente a estes níveis determinados pela tradição enxadrística. Além disso, queria que sua escala incluísse todos os níveis sem que um rating jamais ficasse negativo.

Ademais, já havia um sistema de rating em uso nos Estados Unidos quando Elo começou seus estudos da matéria, o sistema Harkness[5]. Nesse sistema, o intervalo de classe era de 200 pontos e esperava-se que um jogador com 2000 pontos de rating tivesse um aproveitamento de 50% na grande maioria dos abertos de final de semana em que participasse. Como essa escala servia bem a seus objetivos, Elo manteve-a, alterando apenas a maneira como as variações de rating e performances eram calculadas.

Nessa escala (figura abaixo, extraída do livro de Elo), novatos teriam menos de 1200 pontos. Os intervalos entre 1200 e 1400; 1400 e 1600; 1600 e 1800, e 1800 e 2000, correspondiam a jogadores amadores das classes D, C, B e A – ou 4ª, 3ª, 2ª e 1ª categoria – respectivamente, no entendimento de então da USCF. O intervalo entre 2000 e 2200 abarcaria a grande maioria dos experts[6] e candidatos a mestre[7]. O intervalo 2200-2400 abrangeria a maioria dos mestres nacionais[8]. 2400-2600 incluiria a grande maioria dos mestres internacionais[9] e grandes mestres. Os jogadores acima de 2600 eram vistos como potenciais candidatos ao título mundial.

Alguns desses valores modificaram-se com o tempo[10]. Embora o Mundial e o Brasileiro Amador, exijam que seus participantes tenham menos que 2000, o adjetivo se aplicaria a muitos jogadores na faixa 2000-2200. Em seu recém-criado título de candidato a mestre, a Fide exige um rating mínimo de 2200. Assim, a grande maioria fica na faixa entre 2100 e 2300. Os títulos de expert e mestre nacional não são reconhecidos pela Fide. O primeiro corresponde aproximadamente ao de candidato a mestre, e o segundo ao de mestre Fide. Destes é exigido 2300 (ficando, portanto, a maioria na faixa 2200-2400). Dos MIs, exige-se 2400 (a maioria está em 2300-2500). Dos GMs, é exigido 2500 (pouquíssimos têm menos que 2400). Hoje, dificilmente um jogador com menos de 2750 pode ser seriamente considerado como um candidato ao título máximo do xadrez.


[1] Mais sobre Elo em artigos futuros.

[2] Veja http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_dos_erros.

[3] Em oposição às escalas de razão, nominal e ordinal. Mais sobre os diferentes tipos de escala em http://www.serprofessoruniversitario.pro.br/ler.php?modulo=21&texto=1304.

[4] Veja http://matematiques.sites.uol.com.br/pereirafreitas/1.6.5distribuicao.htm.

[5] Criado por Kenneth Harkness (1898-1972). Mais sobre o sistema e suas diferenças para o Elo no próximo e em outros artigos da série.

[6] Veja http://en.wikipedia.org/wiki/Chess_expert (em inglês).

[7] Distinção equivalente à de expert, utilizada principalmente por países europeus.

[8] Veja http://en.wikipedia.org/wiki/Chess_master (em inglês).

[9] Mais sobre títulos na próxima série de artigos (a ser publicada após o término da série atual, sobre ratings).

[10] Mais sobre o assunto, especialmente inflação dos ratings em outro artigo da serie.

3 comentários em “Rating – Parte I

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  • 17 de março de 2014 a 17:27
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    Dá uma boa visão inicial, é bem didático e tira dúvidas de iniciantes sobre o rating.

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